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A diferença entre obras adaptadas, inspiradas e baseadas (para o cinema)

Estou andando em um torpor desde que s aulas terminaram que até esqueci que era a minha vez de fazer uma publicação. O que normalmente era tarefa fácil, minha colega Ludmila Pires vem tornando cada vez mais complicado fazer um texto que seja tão relevante quanto. Principalmente depois de dois de seus últimos artigos, Jogos de Palavras e A critica da critica.

Mas ainda tomando como base esses dois excelentes textos, voltei a pensar em algo que me incomodou bastante nesse último ano. Não somente conversando entre amigos e conhecidos, bem como no meu próprio ambiente de trabalho e estudo.

Aqui, como um bom cinéfilo e estudante de cinema, usarei o cinema como ponto inicial de discussão, tanto para as obras adaptadas, inspiradas e baseadas em livros, séries, outros filmes e por ai vai.

No decorrer do texto, tentarei exemplificar com as obras mais populares, não confundam com gosto, por favor.

Da Adaptação

s.f. Ação de adaptar; resultado desta ação.
Transposição de uma obra literária para o teatro, televisão, cinema etc.: este filme é adaptação de um romance antigo.
Arranjo, adequação de uma obra estrangeira que, além da tradução, implica modificações do texto original.
Correspondência, nos seres vivos, entre a forma e a estrutura de um órgão e suas funções: adaptação das patas do cavalo para a corrida.
Integração de uma pessoa ao ambiente onde se encontra: a adaptação escolar de uma criança.
Esforço para realizar esta integração: a inteligência humana é uma constante adaptação.
Adaptação ao meio, ação modificadora dos fatores externos sobre o comportamento e a estrutura dos organismos vivos: adaptação das plantas ao clima seco. Dicio.com

Pois é, como bem descrito em todos os seus significados, não existe nenhum segredo sobre o que significa adaptação, se adaptar e/ou todos os seus termos correlacionados. Uma adaptação, seja de qual natureza ou significância, não é algo INTEIRAMENTE fiel ao trabalho adaptado. O que quero dizer é que uma adaptação não segue a risca o produto inicial. Existem vários fatores que nos levam a transformação do trabalho, como publico alvo, cultura, época, linguajar, recursos, ideias…

Um ótimo livro adaptado pro cinema que pode entrar na exemplificação é “Guerra dos mundos” (The War of the Worlds) do escritor inglês H. G. Wells. A trama do livro se situa em nos arredores de Londres, quando cometas caem na terra e deles podemos ver marcianos, munidos de Tripods (máquinas assassinas, semelhantes a depósitos de água sobre tripés) e canhões de raios carbonizadores, exterminando toda a vida humana ao alcance. O livro é contado sobre a forma de narração, hora com o protagonista, que em momento algum é identificado, hora com seu irmão, que também consegue escapar de Londres. O livro foi lançado em 1898 e não é de se espantar que tanto o cenário bem como a descrição dos alienígenas fossem aquelas presentes no livro. Até essa data, a crença da existência de vida fora da Terra era voltada para os planetas do nosso sistema solar, se restringindo a formas de vida, principalmente de Marte, inteligentissimas e hostis.

Em 1953, o filme foi ADAPTADO pro cinema. Através da direção de Byron Haskin e com roteiro de Barré Lyndon, o filme conta, aos moldes do século XX, a invasão dos marcianos na Terra. O filme é amplamente adorado e foi indicado a vários premios pelo trabalho de adaptação e por ser, até hoje, um dos filmes de ficção cientifica e ataque extra-terrestre mais bem feitos e detalhados de todos os tempos.

Em suma, o que os produtores fizeram com um livro, foi moldar a história para o tempo e o meio de produção que eles tinham em mãos. Assim, não é necessário seguir a risca todos os preceitos do filme, tal como a narração e os personagens sem identificação. Mesmo por que, ia ficar muito estranho ver um filme de ataque alienígena em uma Londres a carruagem.

E a mais famosa. Em 2005, Steven Spielberg ADAPTOU o livro ara o cinema com talvez o filme mais conhecido de todas as obras adaptadas do livro original. Aqui, podemos ver Tom Cruise e Dakota Fanning. Vale lembrar que, o filme NÂO É UM REMAKE da obra de 1953. Mais pra frente traremos novamente o conceito de Remake aqui na coluna para a abertura de mais uma discussão. O filme de 2005 é, assim como o de 1953, são adaptações a parte. Um não completa o outro, um não é uma continuação do outro, um não é uma remodelagem do outro.

 

Da Inspiração

s.f. Ação de inspirar ou ser inspirado.
Ação pela qual o ar penetra nos pulmões: o homem adulto, em repouso, faz 16 inspirações por minuto.
Fig. Conselho, sugestão: agir por inspiração de.
Estado da alma quando influenciada por uma potência sobrenatural: inspiração divina.
A força inspiradora; o estro: poeta de grande inspiração.
Coisa inspirada.
Coisa ou pessoa, que inspira.
Aquilo que numa composição artística revela grande talento ou génio. dicio.com

Aqui, trago outra obra literária que foi a base para um filme. Dessa vez “As quatro estações” do autor Estadunidense Stephen King.

O livro é dividido em quatro romances curtos. Uma vez deixando de lado o sobrenatural e o imaginário surreal, King se arrisca a contar histórias de quotidiano, de pessoas normais. E um dos quatro contos é “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank” que conta a história de um advogado que é condenado a prisão perpétua por um crime que não cometeu. Está familiarizado com o titulo? Esse romance curto foi a inspiração para o roteiro do filme “The Shawsshank Redenption” (Um sonho de liberdade) do diretor Frank Darabont, que conta com atuações de Tim Robbins e Morgan Freeman. Diga-se de passagem, um puta filme.

Do Baseado

adj. Que assenta numa base, fundamentado. dicio.com

Definitivamente, esse é o termo menos aceito por espetadores do mundo inteiro. “Apocalypse now”, um dos filmes mais conceituados de todos os tempos, Francis Ford Coppola realmente fez um puta trabalho filmico aqui. Temos no elenco estrelas como Marlon Brando, Martin Sheen e Robert Durval.

Mas o que poucos sabem (impressionante como realmente são poucos) o filme é baseado no livro “Heart of Darknes” de Joseph Conrad, que foi publicado em 1902. o livro conta a história de Charles Marlow, um britânico que trabalha para uma de comércio da Bélgica, como capitão de um barco a vapor. Ele é contratado para fazer o transporte do marfim pelo rio Congo, mas o cerne do livro, é a tarefa de devolver Kurtz, um famoso comerciante de marfim, de volta a civilização.

No filme de 1979, Coppola se BASEIA nessa história para criar um enredo novo. Dessa vez, estamos em plena Guerra do Vietnã, e acompanhamos um alto comando do exército americano designado para assassinar o coronel Kurtz, que tinha enlouquecido, sendo responsável direto pela morte de várias pessoas inocentes nas selvas do Camboja.

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O artigo é apenas um esboço, e uma tentativa de elucidação de pequenas duvidas e erros grotescos no momento de comparação de uma obra para o cinema. Fiquem atentos quanto as comparações e apontamento de erros de diretores e roteiristas, em muitos casos, o erro é apenas de leitura e falta de percepção do espetador exacerbado.