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Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)

Existem certas rivalidades que são, geralmente, clássicos em seus domínios. Querelas como Lado Negro vs Lado Luminoso da Força; Brasil vs Argentina; Ash vs Gary; Naruto vs Sasuke; Bolacha vs Biscoito e por aí vai. No mundo das revistas em quadrinhos, os dois carros-chefes da DC Comics, que carregam uma tonelada de fãs pelo mundo, vez ou outra fazem seus encontros. Muitas vezes lutando lado a lado, algumas sortidas vezes se desentendendo. Falo de Batman e Superman, os dois super-heróis que se encontraram e se estranharam no longa-metragem Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice -2016), dirigido por Zack Snyder (Homem de Aço – 2013) e com Christopher Nolan na produção (Trilogia Batman – 2005, 2007 e 2012).

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Com roteiro de Chris Terrio e David S. Goyer, o filme se apresenta como uma continuação de O Homem de Aço, o qual introduz Clark Kent / Superman (Henry Cavill) ao público. No entanto, ele não está sozinho dessa vez: o super-herói com poderes quase divinos é a fonte de preocupação do vigilante de Gotham City, Batman/Bruce Wayne (Ben Affleck). Além disso, Superman é questionado por representantes mundiais se ele é o tipo de herói que o mundo precisa – e que tipo de herói a humanidade realmente necessita, hein? Enfim, enquanto os protetores de Gotham e de Metrópolis soltam faíscas, uma nova ameaça surge no pedaço, colocando a humanidade sob um tremendo risco.

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David S. Goyer, com um help de Chris Terrio, repete a fórmula do filme anterior ao deixar Batman vs Superman com um roteiro mais leve, com conflitos cuja resolução é facilmente encontrada pelos personagens. É o famoso “tudo se encaixa, tudo se resolve”. O problema é que não estamos mais diante do mundo do homem de aço, mas de um universo bem maior, mais complexo e com suas várias sub-tramas. Assim, alguns saltos e furos acabam sendo burlados pela grandiloquência de efeitos especiais. A reconciliação entre os heróis é deveras estúpida; além das cenas de sonhos, flashbacks e flashfowards que são mal encaixadas. Para acrescentar no pacote, no intuito de criar o ambiente perfeito para a criação da Liga da Justiça, os easter eggs são disparados para todos os lados. Há muita dispersão e pouco foco. De modo geral, enquanto o Primeiro e o Segundo Ato seguem o script, por assim dizer, a inconsistência se faz visível no Terceiro Ato, que traz um desfecho para lá de apressado.

A fatigante comparação metafórica de heróis com deuses está presente, novamente, na figura de Superman. Como no filme anterior, vemo-lo no papel do “Jesus crucificado”, em sua saga Nazarena de redentor da humanidade. Essa ideia de super-humanos ou deuses é alimentada pela trilha sonora de Hans Zimmer e Junkie XL, que exalta essa visão a limites quase extremos. Aliás, ao que parece, ao invés de ajudar a criar as atmosferas desejadas, a trilha dá ao longa-metragem um aspecto completamente antinatural. Ela [a trilha] é quem indica que “este é o momento de chorar” ou “este é o momento da adrenalina” etc., e não as próprias sequências em si, ou seja, o filme é praticamente induzido por sua trilha sonora. Ao invés de instrumento, peça chave ou pano de fundo, ela vira condutora da obra.

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Ben Affleck faz um bom Batman/ Bruce Wayne. Não arrisco a classifica-lo como o melhor Batman do cinema, mas ele caiu perfeitamente bem no personagem. Vale lembrar que o Batman/Bruce de Affleck está mais velho, amargurado e bastante desiludido com a humanidade. Já presença de Mulher Maravilha / Diana Prince, interpretada por Gal Gadot (Velozes e Furiosos: Operação Rio – 2011), é quase descartável. Em realidade, sua existência no longa-metragem faz sentido apenas com os poucos links para a Liga da Justiça e para dar aquele “up” no Terceiro Ato. No lado escuro da força, os holofotes vão para Jesse Eisenberg (A Rede Social -2010), que embora faça um Alexander Luthor bem caricaturado e com alguns trejeitos, consegue capturar o fascínio do espectador – ainda que esteja bem longe da caracterização do personagem nas HQs e cartoons.

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É evidente que Batman vs Superman não é tão soberbo como poderia ser, passando como um filme de ação / super-heróis mediano. Um filme que vai conquistar o público pelas frases de efeito e pela destruição em massa, nada mais. Uma boa diversão para o final de semana, mas que, infelizmente, ainda permite que se continuem a tecer as mais inimagináveis comparações entre Marvel/ Disney e DC Comics/Warner – estando esta última bem atrás.

 Nota CcW: 07/10.

Trailer:

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Ficha Técnica – Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016):

Titulo Original: Batman v Superman: Dawn of Justice. Direção: Zack Snyder. Roteiro: Chris Terrio, David S. Goyer. Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Ben Affleck, Diane Lane, Jesse Eisenberg, Jeremy Irons, Holly Hunter, Laurence Fishburne. Gênero: Ação /Aventura /Fantasia. País: EUA. Ano: 2016. Duração: 152 minutos. Distribuidora: Warner Bros. Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos.