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Cloven Hoof – Uma pérola perdida

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O que acontece se você misturar a temática obscura de um Black Sabbath, a qualidade técnica de um Iron Maiden e colocar uma pitada da teatralidade do Kiss? A resposta para isso se chama Cloven Hoof

Cloven Hoof é uma banda inglesa formada no final do anos 1970, e que faz parte da NWOBHM. Se você sabe o que essa sigla significa, siga em frente, pois com certeza esse post será de seu agrado. Se você não sabe do que isso se trata, siga em frente mesmo assim, pois isso não vai atrapalhar sua leitura em nada. Além disso essa sigla será tema para posts futuros.

Como toda banda em início de carreira, o Cloven Hoof passou por algumas dificuldades para se estabilizar, principalmente em relação aos integrantes da banda. Mas nenhuma dificuldade seria suficiente para fazer a banda desistir. Toda a persistência do grupo foi recompensada, pois em 1982 eles lançaram três demos. Uma delas possui uma capa bem interessante, pois mostra a foto dos integrantes usando fantasias baseadas nos quatro elementos da natureza, assim como eles se apresentavam em seus primórdios (lembra da teatralidade do Kiss?). A banda nessa época era formada por David Potter (vocal/água), Lee Payne (baixo/ar), Steve Rounds (guitarra/fogo) e Kevin Pountney (bateria/terra). Entretanto o primeiro disco propriamente dito só foi gravado em 1984, com a mesma formação já citada e as mesmas músicas das demos de 1982, mas com uma melhor qualidade de gravação e uma capa pra lá de sombria. Esses primeiros registros já nos apresentam uma banda com grande qualidade técnica, com um instrumental bastante trabalhado e ao mesmo tempo agressivo, tudo isso complementado pela voz forte de David Potter.

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Os quatro elementos – teatralidade a la Kiss

Mas como nem tudo são flores, logo a banda se desfez, sobrando apenas o baixista Lee Payne. Ele então tratou de reerguer a banda das cinzas, e como uma fênix, o Cloven Hoof voltou à ativa com uma de suas mais memoráveis formações (pelo menos para os fãs da banda) que além de Lee Payne trazia Jon Brown (bateria), Andy Wood (guitarra) e Russ North (vocal) – a propósito, os jovens mancebos da foto que abre essa matéria são justamente esses que acabo de mencionar. Com essa formação eles lançam Dominator em 1988 e A Sultan’s Ransom no ano seguinte. Esses dois discos podem ser facilmente considerados os melhores na discografia da banda, com canções realmente muito boas, tendo temáticas que vão desde contos de terror à ficção científica. A cereja do bolo fica por conta do vocal de Russ North, que além de fazer uma interpretação impecável, possui uma voz muito marcante, não devendo nada aos grandes e consagrados vocalistas do estilo. Fazendo uma analogia meio grosseira, dá para dizer que Russ North está para o Cloven Hoof assim como Bruce Dickinson está para o Iron Maiden. Infelizmente problemas internos levam a banda a se separar mais uma vez, com uma troca constante de integrantes. A essa altura do campeonato, o Cloven Hoof já pode ser considerado a banda do Lee Payne, já que mais uma vez ele é o único remanescente. Em 2006 é gravado o disco Eye Of The Sun, que apesar de ser um bom disco, mostra uma banda um tanto quanto descaracterizada, com uma sonoridade mais moderna, lembrando muito pouco o heavy metal clássico que era praticado nos anos 1980. Nesse meio tempo Russ North até mesmo voltou a cantar no Cloven Hoof, mas infelizmente sua volta não deu certo e ele saiu novamente. Em 2014 foi lançado Resist or Serve, que com exceção de Lee Payne, conta somente com músicos das novas gerações, trazendo como consequência uma sonoridade bastante moderna – o que não quer dizer que é algo ruim, e sim moderno.

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Agora sim uma capa assustadora, mais heavy metal!

Como você pode perceber, caro leitor, o Cloven Hoof é o tipo de banda que tinha tudo para estar no panteão do rock e heavy metal, mas devido à sua instabilidade acabou ficando conhecida apenas entre uma parte do público do heavy metal, além de possuir uma discografia bem menor do que merecia. Quero finalizar esse post dizendo que seu ouvido, caro leitor,  é o melhor juiz para lhe dizer quais fases desse grupo mais lhe agrada, portanto corra atrás dessa banda e se deixe levar pelas canções que você mais gostar (e com certeza vai gostar!) 

Para essa banda dou quatro xícaras. Eu até daria cinco, mas a discografia é muito curta…

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Diogo Muniz

Amante do Rock e Heavy Metal, intensamente moderado ou moderadamente intenso, guitarrista nas horas vagas e torcedor do E.C.Mamoré.