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Mulher Maravilha (Wonder Woman – Patty Jenkins – 2017)

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Mulher Maravilha é um filme que nos mostra o início das aventuras de Diana (Gal Gadot, que viveu a personagem no filme Batman v Superman) no mundo dos homens, onde se envolve com os vários nuances da Primeira Guerra Mundial enquanto aprende sobre um mundo completamente novo e muito diferente da ilha de Temiscira, onde sempre viveu até decidir sair para cumprir o que ela julgava como o seu dever, que é trazer o equilíbrio para a humanidade.

O filme é contado como um flashback de Diana, onde ela recebe uma foto tirada na Primeira Guerra e relembra toda a história, passando por algumas cenas de quando era criança em Temiscira, mostrando bem a mentalidade das amazonas, contando sobre a história do começo dos tempos e apresentando bem a formação da personagem, que sempre quis lutar para cumprir o que ela acreditava ser seu caminho, mas sua mãe, a Rainha Hipólita (Connie Nielsen), hesitava deixá-la treinar e sempre mostrou que a guerra é algo muito ruim, pois Diana sempre teve um fascínio por lutas e pelas histórias de guerra que contavam. Outros motivos de Hipólita não querer que Diana lute é que assim ela pensa que a protegerá de Ares e que Hipólita não acredita tanto na humanidade quanto antes, a ponto de fechar completamente as amazonas na ilha sem nenhum contato com o mundo de fora. Outra personagem importante e influente nesse início é Antíope (Robin Wright, de House of Cards) que treinava Diana em segredo e sempre procurou mostrar para ela o que era ser uma guerreira.

Sobre essa parte inicial, há de se destacar um bom trabalho com fotografia e direção de arte, pois os cenários na ilha são exuberantes e o artifício de usar uma animação no estilo pintura clássica para contar a história do início das amazonas e a traição de Ares foi muito bem feito.

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A ambientação do filme também é muito boa nas várias cenas que mostram os horrores da Primeira Guerra no segundo ato do filme. Os cenários de guerra eram sempre muito destruídos, com muitas pessoas sofrendo por ferimentos ou pela fome, doenças e miséria assim como o ambiente era mais cinza e cheio de lama. Isso é importante pois a motivação da personagem é ligada diretamente às guerras uma vez que ela saiu da ilha para derrotar Ares, e ver a Primeira Guerra Mundial, que foi uma das mais horríveis guerras que a humanidade já teve, fazia com que a motivação fosse reforçada e proporcionou um grande crescimento para a personagem.

Um aspecto interessante do filme é que há sempre um balanço muito bom da interação de Diana com o mundo, pois ao mesmo tempo que ela se comporta de maneira inocente enquanto descobre e se acostuma com um mundo completamente diferente, não houve um momento onde você julgava que ela fosse boba ou fraca e sempre manteve teve uma visão simples e direta do mundo, que é algo que proporciona desde os mais interessantes questionamentos sobre a sociedade até algumas cenas de humor. A interação dela com o Steve Trevor (Chris Pine, o Kirk dos novos filmes de Star Trek) é muito boa, onde Steve leva tempo para acostumar com a ideia de viver com um ser superpoderoso como Diana e depositar suas esperanças nela, ao mesmo tempo que respeita a personagem mesmo entrando em conflito de visões constantemente, por causa da formação diferente dos dois. Ele e sua equipe, introduzida mais tarde no filme, são fontes de diferentes visões sobre a humanidade.

Essa visão simples de Diana é que dita o ritmo do filme e da sua transição gradativa para a Mulher Maravilha no fim, onde o início da realização dela como heroína é quando revela seu uniforme pela primeira vez no campo de batalha, numa cena absurdamente épica. Ali é a quando ela decide lutar pelas pessoas que estavam morrendo e passando dificuldades em condições horríveis. Naquele momento, ela abriu mais do que um caminho e passou de “personagem incrivelmente poderoso” a “heroína símbolo da esperança”, onde todas as pessoas a seguiam por acreditar que ela conseguiria levá-los a um destino melhor mesmo se a situação fosse impossível e carregou nos ombros essa responsabilidade.

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A mudança da personagem vai além, pois após um conflito mais adiante por duvidar de seus ideais e da verdadeira característica da humanidade é posto em questão, ela passa a lutar não somente de acordo com a motivação inicial, mas sim porque nunca vai desistir de acreditar que os humanos podem conviver em paz e também para ser uma presença a quem todos podem seguir e ter como um exemplo máximo de bondade e esperança.

Apesar desses pontos positivos, o final é um pouco contraditório, pois na luta derradeira há uma perda de simplicidade, a luta destoa muito do resto do filme porque volta a ter uma característica meio “Dragon Ball Z” de usar o poder como destruição em massa, mas a personagem também cresce durante a troca de não-carinhos e de certa forma um “fan service” não ia fazer mal ao filme.

Ainda sobre cenas de luta, todas foram muito bem coreografadas, desde as primeiras cenas com amazonas voadoras matando soldados em câmera lenta até as outras coreografias mais brutais durante a Primeira Guerra.

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O filme como um todo foi muito satisfatório, pois na produção decidiram dar um tom maior de esperança, não só para a Mulher Maravilha mas para os filmes seguintes do universo da DC no cinema, principalmente depois das várias críticas feitas em cima de Man of Steel e intensificadas em Batman v Superman, que foram filmes onde a crítica geral não gostou por não conseguirem passar tão bem o que os heróis da DC geralmente representam, que no caso são deuses que andam lado a lado com a humanidade, sendo um símbolo para todos. Mulher Maravilha não só consegue dar esse tom quanto define um estilo próprio para os heróis da DC daqui em diante, que é um ponto extremamente positivo.

Mulher Maravilha é um filme muito bom, um dos melhores que a DC já fez sobre um de seus personagens e também representa uma esperança para os filmes do universo pois, se conseguirem suceder no projeto, será muito bom ter filmes de herói com uma pegada diferente do estilo Marvel, que dominou o mercado há anos.