coluna literaria

O Retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray) – Oscar Wilde

“ Porque, sem intenção de fazê-lo, coloquei nele um pouco da expressão de toda essa curiosa idolatria artística (..) Mas é possível que o mundo a perceba, e eu não vou desnudar minha alma aos olhos superficiais e intrometidos do mundo. Meu coração jamais se deitará debaixo do microscópio de tais olhos. Há muito de mim, Harry… há muito de mim!” Basil Hallward –  Pág. 25.

Assim que terminei de ler “Casório!?, decidi ler “O Retrato de Dorian Gray”. Este livro estava na minha lista de leitura há muito tempo, mas não tive a oportunidade de lê-lo. E que falta de oportunidade!  Quando comecei a leitura não consegui mais parar. Fui completamente envolvida pela maneira de escrever de Oscar Wilde e por seus personagens tão complexos.

A história começa na casa de Basil Hallward, um pintor da época que utilizava Dorian Gray, um rapaz tímido e ingênuo, como seu modelo para um retrato. Ele presenteia Dorian com o quadro. Porém, esta atitude muda completamente a vida do jovem rapaz que ao conhecer Lorde Henry Wotton, percebe como sua beleza é surpreendente. Lorde Henry mostra sua filosofia para Dorian que aos poucos é seduzido por estes pensamentos, levando-o a viver pelos prazeres da vida. O que ele não imagina é que esses prazeres da vida tem um custo alto para alma.

A maneira como Oscar Wilde apresenta o mundo supérfluo de Dorian Gray, e também,  como os conceitos pessoais da aparência controlam um cenário de uma Londres antiga são impressionantes. O autor trabalha com conceitos que são discutidos ao longo da vida do ser humano, como o amor, a morte, o envelhecimento, a busca incansável pelo prazer, bem e mal, e também, a influência dos outros em nossas vidas.

“Não existe boa influência, senhor Gray. Toda influência é imoral – imoral do ponto de vista científico. (…)Porque influenciar uma pessoa é lhe dar nossa própria alma. Ela deixa de pensar seus pensamentos naturais ou arder com suas paixões naturais.” (pág. 107)

O Retrato de Dorian Gray foi censurado na época de seu lançamento. Coube a Oscar Wilde aceitar essa repressão,e lançar seu livro. Depois de uma pesquisa, descobri que a versão original tem três capítulos a menos que a versão censurada. Se olharmos por esse lado é interessante pensar o que Oscar teve que tirar e acrescentar. O livro questionava vários valores da sociedade da época; insinuava um romance entre três homens – Dorian, lorde Henry e Basil – e também descrevia a luxúria da vida do personagem principal que poderia ter ‘ofendido’ a sociedade européia no século XIV.

Tenho outro livro do autor, De Profundis, que foi escrito supostamente para um rapaz com quem Oscar se envolveu, e também, por causa dele foi preso por dois anos. Não vejo a hora de começar a ler mais uma obra do autor. A adaptação para o cinema saiu em 2009.

Oscar Wilde nasceu em Dublin em 1854 e faleceu em Paris em 1900.

Avaliação CcW: 10/10

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O livro foi originalmente publicado em abril de 1891 pela Ward, Lock e Company, tendo atualmente diversas edições e traduções.
A versão utilizada por mim foi publicada pela Editora Abril em 2010 para a Clássicos Editora Abril.

Todos os direitos dessa edição são reservadas a Editora Abril.