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Michael Jackson’s This Is It (2009)

Quando “Michael Jackson’s This Is It” foi lançado, em outubro de 2009, metade do globo (composto em grande parte pelos fãs e pela mídia) ainda se encontrava aos prantos pela morte de Michael Joe Jackson, ou melhor, apenas: Michael Jackson. Considerado por muitos como uma tentativa de encher os cofres de empresários e envolvidos (leia-se Sony), o documentário aspirou mostrar as últimas imagens do astro pop preparando-se para o que seria o seu retorno aos palcos mundiais – e também marcaria o encerramento de sua carreira com chave de ouro.

Michael-Jackson-This-Is-It-Smooth-Criminal42A produção em questão é fruto de uma seleção de cenas entre mais de 100 horas de filmagem, trazendo toda a organização do astro para a tão esperada turnê. Ao ver This Is It é importante notar que qualidade do material não é lá tão excepcional quanto poderia ser, principalmente ao que tange em termos de técnicas de filmagem e montagem, que mantém uma oscilação durante toda a exibição. Cabe então ressaltar que essas cenas serviriam apenas para compor o DVD de making of dos espetáculos. Com a fatalidade, o seu lançamento foi transposto para as telonas, arrastando uma peregrinação de fãs e curiosos para as salas de cinema. Por isso, ele é praticamente um documentário acidental orquestrado pelo diretor Kenny Ortega (High School Musical, 2006). Sendo assim, os últimos minutos gravados de Michael soam como um suvenir, um prêmio um pouco sádico para os consumidores que transformaram sua morte em um grande show.

MJthis-is-it--michael-jacksonO documentário inicia-se com o teste para os bailarinos que iriam compor a turnê, com o acréscimo de depoimentos emocionados captados em planos próximos de alguns dançarinos relatando sua admiração pelo ídolo. Emoção é o que não falta essa é a intenção presente em toda a obra: provocar a emoção do espectador sem soar demasiadamente melancólico. A partir disso, imediatamente corta-se para o ensaio do que seria a abertura das apresentações (diga-se de passagem, uma mega produção), com a música Wanna be Startin’ Somethin’ paralelamente as cenas dos testes conduzidos por Ortega e os coreógrafos Travis Payne e Stacy Walker. A partir daí, são cenas e mais cenas de preparação, ensaios, pirotecnia, comentários e tudo mais.

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Michael, que era um inveterado fã da Sétima Arte, já havia tido alguns de seus “movie-clipes” dirigidos por renomados cineastas como Martin Scorsese, David Fincher, John Landis, Stan Winston, Spike Lee e John Singleton. Portanto, não era de se estranhar o motivo dele também produzir pequenos curtas que seriam exibidos nas apresentações. O vídeo da faixa They Don’t Care About Us ganhou centenas de militares pelo milagre da multiplicação através do Chroma-key; Smooth Criminal teve direito a trechos do filme Gilda (1946), um clássico noir protagonizado por Rita Hayworth e Glenn Ford. A arrasa-quarteirões Thriller ganharia uma versão em 3D e o último curta, de Earth Song traria um passeio entre a vida selvagem e narração especial de M.J. Os detalhes e a sutileza das produções deixam aquele amargo e profundo gostinho de  que seria interessante ter visto tudo isso pronto, finalizado.

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O que se pode captar daquelas imagens é o indiscutível talento do músico, que apesar do peso da idade, ainda deixava mostras de que estava em forma aceitável para o retorno aos palcos. Michael conhecia perfeitamente sua obra de modo a arranjar as músicas, as coreografias e toda a apresentação conforme seu estilo perfeccionista. No discurso dos músicos, dançarinos e outros membros da equipe o profissionalismo de M.J. é constantemente exaltado.

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Ainda por ser um ensaio geral, o desempenho de Michael está longe de ser uma apresentação impecável, digna de um Super Bowl. Ele se contém, preserva a voz e a dança, mas às vezes desencanta e mostra seu poder em ação. Logo, facilmente o público pode se entregar sem perceber as quase duas horas que se passam frente à tela, como se estivesse em um espetáculo particular. Porém, logo o desfecho de tudo isso se dá abruptamente pela música que quase sempre encerrou os seus shows: Man in The Mirror – que simplesmente abandona o espectador em uma sensação de “chore agora ou cale-se para sempre”.

Michael Jackson's "This Is It"

O mundo havia dado as costas para Michael, atirando-lhe pedras e palavras pelas acusações de pedofilia. Afastou-o dos holofotes, chamou-o de monstro, de esquisito, de bizarro. Nunca pararam para ouvi-lo, apesar de pequenos gritos de “ajuda” estarem espelhados em suas entrevistas há mais de vinte anos. A mídia denegriu-o, crucificou-o e depois de sua morte tentou fazer com que renascesse. Histórias e polêmicas a parte, é indiscutível que Michael Jackson era um homem de um talento absurdo, extraordinário, maior do que qualquer um jamais poderá conhecer. Era um artista completo. E de fato, This Is It carrega o peso e é a prova de que esta é a maior turnê do astro que nunca foi realizada.

– Vida longa ao Rei do Pop.

 

Nota CcW: 09/10.

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Ficha Técnica – Michael Jackson’s This Is It:

Direção: Kenny Ortega. Produção: Craig Conolly e Randy Phillips. Fotografia: Kevin Mazur. Trilha Sonora: Michael Jackson. Gênero: Documentário. País: Estados Unidos. Ano: 2009. Duração: 112 min. Cor: Colorido.