coluna literaria

Tradução vs Transliteração: A Mão Esquerda de Deus

Tradução:
adj. De acordo com o sentido restrito das palavras: tradução literal de uma obra.
Transformar exatamente uma palavra/frase/texto de uma linguagem para outra.
Tradução de uma linguagem para outra.

Transliteração:
Qualquer palavra traduzida de qualquer idioma, sem ferir seu significado literal ou original.
Exemplo: Sufoco (verbete criado na década de 1970 no Brasil) 1-o mesmo que dificuldade 2-aperto financeiro.

Se transliterada para qualquer outro idioma, não pode perder seu significado original. O verbete no nordeste do Brasil é “APERRIADO”

A TRANSLITERAÇÃO está ligada exclusivamente a PALAVRA o que a torna diferente de tradução ou versão uma vez que os termos versão e tradução admite a pessoa que executa, pode colocar a sua forma de entender um texto

 (Dicionario Informal)

oficiosEsse artigo seria originalmente publicado na coluna de domingo “Oficios do ócio”, mas como o final de semestre está sugando a minha vida e eu estou atrasadíssimo para terminar os trabalhos e não tenho tempo nem de ler um livro inteiro para poder fazer uma resenha, achei válido dar uma adianta para hoje.

Esse contexto da diferencial entre a tradução e transliteração de um texto do original para uma outra língua é um problema presente desde sempre, até mesmo no livro mais famosos de todos os tempos, a Bíblia Sagrada. Não vou me aprofundar tanto no contexto quando eu queria, visando o pouco tempo que tenho, mas vou aproveitar a leitura de “A mão esquerda de Deus”, livro que li recentemente para dar inicio a essa discussão.

Sinopse:

Existe, nessa terra distante e caótica, um santuário povoado por redentores. Um lugar frio e desolador, onde uma doutrina rígida e ortodóxica é aplicada a garotos desde a infância, com o intuito da criação de verdadeiros guerreiros que futuramente erradicaram os antagonistas da Terra.

Muito dos garotos que para lá foram levados, ainda eram bem novos, levados contra a própria vontade, são recebidos com violência e crueldade pelos lordes redentores, que no seu regime ditatorial, honram a memória do redentor enforcado (uma espécie de Messias para eles).

No meio desse mar de garotos sendo forçosamente doutrinados, existe um menino especial, ninguém sabe ao certo sua idade, nem mesmo o próprio, seu nome verdadeiro, a muito tempo foi deixado para trás, e é apenas chamado de Thomas Cale. Em breve, esse jovem rapaz será testemunha de um ato brutal de violência que ultrapassará toda a sua compreensão do mundo, e que colocará um novo rumo tanto na sua vida bem como na história do livro.

Esse título era bem mencionado para mim desde meados de 2010. Não como um livro necessário a leitura, mas um título bacana de se ler. Ganhei de presente de aniversário e enrolei por tanto tempo a leitura, que nem me lembro quando foi que esse livro chegou nas minhas mãos.

Mas quando li, me deparei com a pior coisa que considero em um livro aqui no Brasil. Uma tradução preguiçosa e até um pouco desdenhosa de Fabiano Morais. Fui dar uma lida no texto original de Paul Hoffman para ver se não estava falando asneira demais pelo pobre coitado do tradutor, e adivinhe, não estava.

O livro foi publicado pela Editora Suma de Letras, da qual eu sou um imenso fã. Editora essa que talvez seja a mais presente na minha prateleira de livros. Enfim… No inicio achei que era somente um “TOC” que poderia surgir em mim, mas convenhamos, que qualquer livro escrito em uma língua, e que vá ser publicado em outra, precisa mais do que um serviço de tradução, que não passa de pegar o sentido literal da palavra e buscar seu sinônimo linguístico em outro idioma, mas exige um trabalho de transliteração, que vai além do óbvio, e busca traduzir não somente a palavra em si, bem como o seu real significado. Que não preciso dizer que varia, e muito de pais para pais.

Na tradução brasileiro, o abuso da palavra “Porém” me irritou ao ponto de pegar esse livro como inicio dessa discussão. O tradutor traduziu todas os “But’s” em “Porém’n”. É claro que uma das significancias dessa palavra inglesa tem como função essa pausa para acrescentar algo na frase: “You’re a crazy son of a bith but i love you” mas nem sempre é esse o real significado da palavra no meio de uma frase.

Não é preciso ser um expert em análise morfológica para ver que a hipérbole nesse sentido, destroi a narrativa e a torna um tanto quanto dúbia. Muitas ações no texto, eram intercaladas com esses “Porém”.

Talvez, só depois da metade do livro, é que a tradução e transliteração deixam a história ser mesmo contada por Hoffman, por que foi ai que o prazer da leitura apareceu. Nesse momento, a história fica definitivamente interessante e gostosa de se ler. Encerrando com um ótimo capitulo gancho, o que te prende e te faz querer ler logo a continuação.

Avaliação CcW: 06/10

Tem uma versão online em PDF com o texto original do livro, se quiser ler, é só clicar aqui