Mariss Martinez 2

Transgêneros na música

Nos últimos tempos muitas coisas referentes à comunidade LGBT têm sido discutidas. O “T” da questão também parece estar ganhando certa notoriedade. Os transgêneros, de forma geral, tem lutado muito por seu espaço tanto na mídia quanto na sociedade. Ao se exporem na mídia, os transgêneros ajudam a dar mais visibilidade para o resto dessa população, uma vez que no meio LGBT os transgêneros ainda constituem uma parcela com uma visibilidade aparentemente menor que os outros representantes dessa sigla. No post de hoje, serão mostrados alguns transgêneros com destaque na música.

MC Trans

mc-trans

Quando se fala em em transgêneros na música brasileira um dos primeiros nomes que vêm à mente é o da MC Trans. Isso se deve ao fato da funkeira ser uma das pioneiras trans em um dos estilos musicais mais ouvidos no Brasil, sendo que quando começou ela fazia cover da cantora Anitta. Um fato que também ajudou a alavancar sua carreira foi sua participação no programa “A Liga” da Bandeirantes em 2015. Desde então ela se tornou figurinha carimbada, e em tempos de youtube, redes sociais, streaming e etc, ela não depende da grande mídia para fazer sucesso e divulgar seu trabalho. Musicalmente falando não apresenta muitas novidades, pois se trata daquele velho funk pancadão, com uma batida sampleada repetida a exaustão e letras bem…. letras típicas desse funk, mas sob o ponto de vista de uma travesti.

MC Xuxu

Mc Xuxu

Aproveitando a porta aberta por MC Trans, temos MC Xuxu, que pelo nome se torna dispensável dizer que se trata de outra funkeira. Suas letras também tratam muito do ponto de vista de uma travesti, e em algumas músicas MC Xuxu até arrisca cantar em inglês, porém isso é o máximo de novidade que ela oferece. Como sempre (no funk) temos também letras com forte teor sexual, o que é algo totalmente desnecessário. Seria mais interessante se MC Xuxu se aproveitasse de seu forte apelo às mídias para fazer letras mais politizadas em prol da causa LGBT, sem cair na baixaria, pois isso mostraria ao resto da população que artistas trans também possuem relevância, capacidade de formar opinião, e quiçá contribuir para quebrar o preconceito não só com artistas trans, mas com a população LGBT como um todo.

Bibi Andersen

Bibi Andersen

Se você nunca ouviu falar em Bibi Andersen, não se preocupe, isso não te torna uma pessoa sem cultura. A artista espanhola é na verdade uma atriz que na década de 80 arriscou uma carreira musical que acabou não indo para frente, haja vista que ela permanece fazendo televisão até os dias de hoje. Em seu único disco, Bibi Andersen nos apresenta um pop típico dos anos 1980, com canções bem dançantes e melodias grudentas. Desse único registro saíram alguns singles como “Salvame” e “Call me Lady Champagne” e também videoclipes para “Salvame” e “Boom Boom”. Aliás, esses clipes são verdadeiras pérolas de tão engraçados e toscos – coisas que só os anos 80 podem nos proporcionar. Atualmente Bibi Andersen é uma elegante senhora que ainda trabalha na televisão, alternando entre programas de auditório, reality shows e outras atrações televisivas. Ela também mudou seu nome artístico, e hoje responde por Bibiana Fernández.

Marissa Martinez

Marissa Martinez

Olhando a foto acima é praticamente impossível dizer que se trata da mesma pessoa. Mas é isso mesmo que você leu, caro leitor. O cidadão barbudo com cara de mau e camisa do Destruction passou por uma transição e hoje em dia é essa guria com cara de má. Dan Martinez era o líder do Cretin (banda norte americana de death metal) e hoje responde por Marissa Martinez. Na época da transição, Marissa afirmou que já não podia negar o que era e se submeteu a várias cirurgias para adequar seu corpo à sua mente. Ela conta também que de início seus companheiros de banda estranharam um pouco mas encararam a mudança numa boa. O que fez a banda encerrar as atividades temporariamente de 1996 a 2001 foi (pasmem) o fato do baixista Matt Widener se juntar aos fuzileiros navais. Durante esse período, Marissa não largou a música e foi trabalhar como produtora musical de video games. Aliás, a transição de Marissa ocorreu apenas em 2008. Atualmente a banda está na ativa com Marissa fazendo as vezes de frontwoman do grupo, e se você pensa que o som da banda perdeu a força, está redondamente enganado. Marissa Martinez toca guitarra e faz vocais guturais de fazer inveja. O Cretin já fez turnês com bandas como Cannibal Corpse e Obituary, só para você ter uma ideia. É caro leitor, como você acabou de perceber, transgêneros não se limitam ao pop ou ao funk. Eles estão muito bem representado no metal extremo.

Dee Palmer

Dee Palmer

Sabia que essa simpática senhorinha já foi tecladista de uma das maiores bandas de rock progressivo? Sim caro leitor, ela já foi integrante de ninguém menos que Jethro Tull, e na época ela respondia por David Palmer. Ela trabalhou com o conjunto de 1968 até 1979, porém como membro efetivo da banda somente a partir de 1977. Dee fez sua transição tarde, somente em 1998 após a morte da sua esposa na época, sendo que em 2004 fez a cirurgia para redesignação genital – fato esse altamente noticiado nos meios de comunicação voltados para o rock. Mais tarde, em uma entrevista ela lamentou o fato de ter levado tanto tempo para fazer sua transição, que se pudesse voltar atrás o faria muito antes. Cedo ou tarde o que importa é que Dee se sente feliz e continua trabalhando com música.

Essa lista foi apenas uma breve introdução, pois se fosse para listar todos os músicos transgêneros, essa lista ficaria muito extensa. Além disso, listar todos é uma tarefa árdua, praticamente impossível, pois a cada dia novos artistas transgêneros surgem, e muitos até mesmo acabam passando despercebidos. Em tempos onde tanto se fala de tolerância e diversidade de gênero, é válido abrir mais um espaço para mostrar que transgêneros (assim como outros representantes LGBT) produzem arte e não ficam se escondendo em seus guetos. O que é importante é que os transgêneros saibam usar seu espaço na mídia para mostrar que também tem voz, e mais importante que isso, mostrar que arte é sempre arte, independente de quem a produza.

 

Diogo Muniz

Amante do Rock e Heavy Metal, intensamente moderado ou moderadamente intenso, guitarrista nas horas vagas e torcedor do E.C.Mamoré.