Warcraft

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

Texto por Neuber Andrada:

Warcraft: Será que filmes de jogos vingarão nos cinemas finalmente? Este deveria ser o nome já que esta tecla vem sendo batida há muito tempo. E a clara/audível resposta é: Não! E ao longe ecoa um fraco Sim que explico depois.

Primeiramente devo explicar porque não funciona como filme. Tenha em mente que muitos dos expectadores não têm a mínima ideia de que este mundo cheio de Lore (conjunto de informações a respeito do universo) sequer exista. Encarando as telas Warcarft conta uma parte do gigantesco Lore que se concentra no primeiro encontro conturbado entre humanos e orcs.

Começamos o filme compreendendo as motivações dos orcs que se encontram em um mundo decadente com a clara necessidade de conseguir recursos para sobreviver. Após isto o ritmo do filme desagrada, pois é uma enxurrada de referências, cenas de tirar o fôlego de cidades e inúmeras personagens sendo apresentados com tamanha velocidade que não conseguimos estabelecer nenhum vínculo com algum deles. E esta é a principal falha no desenvolver do roteiro: personagens fracos em carisma e que se provam úteis em apenas determinados pontos chave da trama. Se pecam em carisma acertam em imagem, já que humanos têm belas roupas e lindas armaduras reluzentes; enquanto os orcs são apresentados como um povo tribal e usam poucas vestimentas, ossos como ornamentos e armas sem muito acabamento.

A sequência de cenas mostra que a edição falha na construção do diálogo que é acelerado e quando já estamos na ação ainda podemos nos perder com o fato de quem está fazendo o quê e com quem. Passado este momento de correria, o ritmo fica comprometido por mais cenas cheias de informações que se você perder alguma coisa certamente deixará de entender o que está acontecendo. Sugiro que mastigue a pipoca devagar para não perder nada. A motivação e vínculo das personagens é outro elemento forçado, deixando o roteiro similar a de filmes de aventura medíocres onde tem que ter um motivo para guerrear além do óbvio. Colocar personagens em determinado ponto da trama falando sobre seu passado junto à outras personagens chave é o ponto máximo que gera entre elas a necessidade de interagirem entre si e começarem a se importar mutuamente. É assim que este elo é criado e as motivações porcamente definidas, como se a trama principal já não fosse motivo mais que óbvio e suficiente para gerar o conflito e as necessidades que ele gera.

Warcraft

Os orcs são um show de efeitos visuais e te convencem que eles são uma verdade naquele cenário e se envolvem muito bem com personagens humanos sem causar estranheza demasiada te possibilitando mergulhar mais naquela realidade; as magias se encaixam bem e têm uma explicação sutil como: existem magos e pronto; os cenários majestosos te envolvem e despertam a curiosidade: será que serão explorados em mais cenas? Aparecem outras raças que também não são introduzidas e nem é preciso dizer que com a correria de informações isto só serve para fanservice e o expectador comum fica só confuso e é distraído com uma próxima cena.

Um elemento que os produtores falaram que iriam mostrar é que não existe um lado que seja o bem e outro que seja o mal, portanto cada lado tem ambos aspectos em si fica muito a desejar, pois conseguimos ver muito mais esta relação nos orcs e nos humanos não funciona exatamente assim, pelo contrário são bem corretos no que fazem e são sim o bem, já que defendem seu interesse de invasores e possuem um ou outro problema de administração que não chega a ser um mal interno.

A fotografia é agradável e lhe permite ver bastante do que está acontecendo, mesmo que em momentos haja dezenas de elementos se movimentando. Poucos closes em personagens humanos para mostrar o que eles sentem e muitos que demonstram os sentimentos dos orcs faz com que a atuação de humanos seja mais fraca do que as personagens construídos digitalmente, o que é algo triste: um ator consegue passar menos do que um ser digital.

A música acompanha bem a trama com a evolução do tema que cresce em batalhas e suaviza em diálogos ou cenas mais brandas. A Blizzard tem boa fama ao desenvolver trilhas sonoras para seus jogos e aqui mostra mais uma vez que o trabalho foi bem feito.

O excesso de fanservice prejudica o expectador comum, que provavelmente não está acostumado a ver um filme tão colorido, isto também pode ser considerado como corajoso já que a maioria dos flmes que se baseiam em alguma realidade externa, seja ela retirada de jogos, HQ’s entre outros, têm a preferência de aproximar esta realidade secundária à nossa criando algo mais cinza e “realista”.

Warcraft chega às telas de forma corajosa, mas tem muito o que melhorar se quer se tornar uma franquia de sucesso já que termina com âncoras para um próximo. Certo, falei o porque de Warcraft não funcionar como filme para o expectador que pela primeira vez terá contato com este mundo, mas e para alguém que já conhece o mundo de Warcraft, como fica? Em um próximo texto explico isto detalhadamente.

Warcarft

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Ficha Técnica

Título original: Warcraft: The Beginning. Direção: Duncan Jones. Roteiro: Duncan Jones, Chris Metzen, Charles Leavitt. Produção: Thomas Tull, Jon Jashni, Charles Roven, Alex Gartner, Stuart Fenegan. Elenco: Daniel Wu, Ruth Negga, Anna Galvin, Callum Keith Rennie, Burkely Duffield, Ryan Robbins, Michael Adamthwaite, Callan Mulvey, Kyle Rideout, Andre Tricoteux, Jill Morrison, Dylan Schombing, G. Michael Gray, Donavon Stinson, Mackenzie Gray. Gênero: Fantasia, Ação e Aventura. Ano: 2016. País: Estados Unidos. Música: Ramin Djawadi. Duração: 2h 30min. Distribuidora: Legendary Pictures. Estúdio: Universal Pictures.

  • Erik Mariano

    Gosto do jogo! Não conheço as histórias detalhadamente, porém, achei muito bom o filme! Realmente pra quem conhece um pouco do Warcraft é bem melhor para assistir e acho que é por isso que fizeram da forma que fizeram! A muito tempo que os fãs pedem por um filme rs’
    Concordo que o ritmo do filme é um pouco acelerado e o final poderia ser mais trabalhado, pois ele acaba de um jeito “calmo” pelo menos para mim passou essa sensação! É claro que deixou bem aberto para um próximo filme! Mas sei lá, faltou algo haha’

    Agora, foi muito legal ver o começo do filme e todas aquelas coisas, as cidades, os magos! Pra quem conhece é muito legal! Relacionar o filme com o jogo e falar: “Aquele lá é tal cara do jogo” aquele outro é… Ah olha o mago! Ah olha o golem” suauhas’
    Azeroth *-* Altaforja *-* Floresta de Elwynn *-*
    Quando joguei o jogo pela primeira vez, fiquei apaixonado! É um mundo mágico e o cenário e a forma com que as coisas são apresentadas são incríveis! Tanto no Warcraft 2, 3, etc… Como no WoW. Tenho um certo respeito e admiração pela Blizzard! Tanto pelos jogos em si, como pelo desenvolvimento deles e a forma com que eles fazem as coisas. Na época em que foi lançado, jogo inovador!
    Enfim, para quem conhece vale muito a pena assistir! Bate aquela saudade! haha’
    Bom artigo! Aguardo o próximo! Até ^^’

    • http://www.portalartedaguerra.com/ Ludmila Pires

      Oi Erik, tudo bom?

      Pois é, o Neuber também é super fã do jogo e vai fazer uma postagem comentando das referências/ easter eggs que estão no filme =)

      E valeu pelo super comentário!

      Até!