X:Men Apocalipse

X-Men: Apocalipse (2016)

Chega aos cinemas mais um filme da franquia X-Men, o tão comentado e ansiado “X-Men: Apocalipse”. Entre uma chuva de comentários e reações negativas e positivas, o filme tenta fechar com chave de ouro a chamada “nova trilogia” dos mutantes. Será que conseguiu?

Dirigido por Bryan Singer e com o roteiro de Simon Kinberg, o longa-metragem continua os eventos de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014), mostrando o ressurgir do primeiro e mais poderoso mutante do universo X-Men da Marvel, um ser que acumulou os poderes de muitos outros mutantes, tornando-se imortal e invencível: Apocalipse (Oscar Issac). Ao acordar depois de milhares de anos, o mega-mutante está desiludido com o mundo em que se encontra, pois acha que seus “filhos” se tornaram escravos do sistema. Assim, ele recruta uma equipe de mutantes poderosos, incluindo Magneto (Michael Fassbender), para purificar a humanidade e criar uma nova ordem mundial, a qual Apocalipse reinará divinamente absoluto. Com o destino da Terra em jogo, Raven/ Mística (Jennifer Lawrence), com a ajuda do Professor Xavier (James McAvoy) devem levar uma equipe de jovens mutantes para deter esse monstro e salvar a humanidade de uma completa destruição.

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Obviamente, o início de X-Men: Apocalipse se dá no Egito, um lugar tão esbranquiçado quanto o Egito de Êxodo – Deuses e Reis. Bryan Singer ainda consegue fazer um uso interessante do 3D para representar a passagem do tempo entre o Egito de En Sabah Nur até a década de 80. Além disso, há novamente uma cena maravilhosa com o personagem Pietro (Evan Peters) no Segundo Ato, acompanhada da música Sweet Dreams (Are Made of This), do grupo Eurythmics. Porém, a beleza do longa para por aí.

Não é de hoje que se sabe que Bryan Singer não segue as HQs. Até aí ainda dá para relevar, porque um filme, antes de tudo, deve ser avaliado por si só e não apenas como uma revista em quadrinhos em movimento. A Sétima Arte tem sua própria “vida” e forma de contar certos acontecimentos, (re)criar universos e narrativas – e afinal, nem todo mundo acompanha a história dos X-Men e muita gente vai ao cinema buscando blockbuster e entretenimento. No entanto, o problema é que nem enquanto obra de entretenimento o trabalho de Singer escapa de erros absurdos.

X-Men: Apocalipse
Sangue “novo” na parada (de novo!)

Ainda que uma nova geração de mutantes seja apresentada, com Scott Summers / Cyclope (Tye Sheridan), Jean Grey (Sophie Turner) e Kurt Wagner / Noturno (Kodi Smit-McPhee), são tantos personagens e subtramas na tela que sequer eles são bem trabalhados. O roteiro abre um leque de possibilidades, principalmente em relação ao desfecho, mas nenhuma delas é explorada perfeitamente – pelo menos a opção escolhida não foi lá a melhor. Esse excesso de fanservice, colocando personagens em tela apenas para agradar o público, torna a interação entre eles fraca, insossa e alguns deles são completamente desinteressantes ou descartáveis. Por exemplo, os Quatro Cavaleiros do vilão Apocalipse sequer são justificados – afinal, que diabos um mutante tão poderoso e com tanto poder precisaria de quatro ajudantes? Eles deveriam ser a elite do super-vilão. Tirando o Magneto, três deles não servem nem para palitar os dentes.

X-Men: Apocalipse
Oferecimento: Blue Man Group

Muitos efeitos denotam o sentimento de grandiosidade e uma certa megalomania do diretor, como também escondem o tão estereotipado está o vilão Apocalipse. Um genocida que planeja criar um “novo mundo” através da destruição não é algo tão novo assim. Seja uma versão dos “Blue Man Group” da Tim ou uma prequel de Power Rangers, o vilão não convence, não atrai e sequer criar alguma atmosfera real de medo e temor.

X-Men: Apocalipse fecha a segunda trilogia dos mutantes com um balanço pelo menos mais positivo do que a trilogia predecessora. O fato é que após de Primeira Classe e Dias de um Futuro Esquecido, um novo arsenal de possibilidades se abriu, permitindo um uso maior de outros personagens e de suas histórias. Uma nova era para os mutantes foi instaurada, no entanto, fica claro que a franquia necessita também de um novo olhar, pois o de Singer já está saturado. Em geral, X-Men: Apocalipse entra para o time de filmes “mais ou menos” do ano de 2016.

Nota CcW: 06/10.

275648.jpg-c_215_290_x-f_jpg-q_x-xxyxxFicha Técnica – X-Men: Apocalipse:

Título original: X-Men: Apocalypse. Direção: Bryan Singer. Roteiro: Bryan Singer, Dan Harris, Michael Dougherty, Simon Kinberg. Produção: Lauren Shuller Donner, Bryan Singer, Simon Kinberg. Fotografia: Newton Thomas Sigel. Montador: John Ottman. Elenco: Jennifer Lawrence, James McAvoy, Michael Fassbender, Oscar Isaac, Nick Hoult, Sophie Turner, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Rose Byrne, Olivia Munn, Lucas Till, Evan Peters, Ben Hardy, Kodi-Smit McPhee, Hugh Jackman. Gênero: Ação. Ano: 2016. País: Estados Unidos. Duração: 144 minutos. Distribuidora: Fox Film. Estúdio: Dune Entertainment / Marvel Entertainment / Twentieth Century Fox Film Corporation.